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Forças policiais devem aumentar 65% para Copa em MT
Meta é que concursos sejam realizados nos próximos anos para capacitar corretamente novo efetivo da Segurança
O número do efetivo em Segurança Pública na Capital deve aumentar em até
65% com vistas à Copa do Mundo de 2014. A perspectiva de crescimento é
da Agência Estadual de Projetos da Copa 2014 (Agecopa). Segundo o
diretor de Infraestrutura, Carlos Brito de Lima, o Governo do Estado tem
a segurança das pessoas no mesmo grau de importância das obras de
mobilidade urbana.
A Fifa, órgão regulador do futebol em âmbito internacional, assinala
pontos específicos e essenciais para a realização de um Mundial. Dentre
eles, um é a redução da reincidência prisional, fato alarmante quando o
assunto é Brasil, onde de cada 100 presos que deixam o sistema, 86
voltam ao crime.
"Esses números têm reflexo em Mato Grosso, já que a realidade no país
inteiro não é muito diferente do resultado geral. O fato é que, para a
Copa, o sistema prisional tem que cumprir efetivamente seu papel e não
deixar esses 86% voltarem a criminalidade", observou Brito.
Segundo o diretor, as metodologias de medição da violência no Brasil são
muito diferentes das aplicadas pela Organização das Nações Unidas
(ONU), já que, no país, os índices são atrelados a estrutura do
Ministério da Saúde. "O que acontece é que o reflexo final do trabalho
não reproduz exclusivamente resultados no sentido do trabalho policial,
preventivo e em todos seus aspectos", disse.
Para se adequar a uma medição da violência mais parecida com a da ONU, a
Agecopa elaborou e propôs à Secretaria Nacional de Segurança Pública
(Senasp) uma matriz referencial de políticas de segurança, com foco no
Mundial.
De acordo com a proposta, não só as forças policiais, mas todo o sistema
de Segurança Pública nas cidades que sediarão a Copa foram discutidos.
Em Mato Grosso, o sistema inclui Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo
de Bombeiros e Perícia Oficial e Identificação Técnica do Estado de Mato
Grosso (Politec).
Comissões e Qualificações
Para que os índices de criminalidade se reduzam antes da Copa e para que
haja segurança durante o evento, a Secretaria de Estado de Justiça e
Segurança Pública (Sejusp) criou, com apoio da Agecopa, a "Comissão da
Copa 2014", que reúne todas as frentes de Segurança Pública da Capital.
Além desta, cada frente criou sua própria comissão.
Segundo o presidente da Comissão da Copa 2014 da Polícia Militar e
também representante do órgão na comissão da Sejusp, coronel PM Sampaio,
o objetivo principal das reuniões é discutir a capacitação do efetivo,
bem como avaliar procedimentos que serão necessários antes do Mundial.
Atualmente, a PM, por exemplo, tem um efetivo de 5.500 homens. Para a
Copa, segundo o Coronel, o número pretendido é de mais 6.100 policiais.
"Esse número hoje já é necessário, porém, em setembro, devido a
concurso, serão chamados 1.200; e, em 2011, mais 1.200. A única solução
para aumentar o número de policiais necessários para o evento são os
concursos. E, para a Copa, ou faz ou faz", disse o oficial.
Apesar do aumento do efetivo, outra preocupação da comissão da Sejusp e
da Agecopa é a logística. "Temos estruturas para serem criadas,
precisamos reforçar unidades de choque, reforçar efetivo no trânsito e
na parte ambiental. Há muito a ser feito e por isso a discussão tem que
começar de agora", explicou o coronel.
Para a Agecopa, encarregada principal de fiscalização das obras que
serão realizadas, o tempo também é ponto preocupante. "Precisaremos
muito do apoio do Governo do Estado para a realização dos concursos. Há
um tempo mínimo que leva da aprovação até a aptidão deste policial. Por
isso mesmo, quanto mais cedo forem realizados os concursos, melhor.
Tempo é um fator que nos preocupa", afirmou.
Apesar da preocupação, o diretor afirma que a matriz referencial
elaborada pela Agecopa foi essencial para dar um panorama da atual
situação das cidades-sedes em relação a segurança pública e isso pontuou
positivamente Cuiabá em relação a outras capitais.
Além do órgão mato-grossense, o Grupo de Trabalho Copa 2014 (GT-Copa),
criado através de um termo de cooperação técnica entre Associação
Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Confederação
Brasileira de Futebol (CBF) e o Ministério do Esporte, tem cumprido o
papel de estabelecer parâmetros em outras áreas do Mundial.
"A Agecopa está afinada com o GT-Copa. Enquanto nós fizemos a matriz das
missões, ou seja, o que precisa ser trabalhado, as competências ficaram
para o GT-Copa", explicou Carlos Brito.
Legado
Em pesquisa divulgada em maio deste ano e realizada pelo Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 90,1% dos brasileiros
acreditam que a violência aumentou nos últimos anos.
Em se tratando de homicídios, o Brasil também figura entre os países com
os maiores índices, uma média de 48 mil mortes por ano, o que
corresponderia a 10% dos homicídios do mundo.
Mato Grosso, no estudo intitulado "Mapa da Violência 2010 - Anatomia dos
Homicídios no Brasil", aparece em segundo lugar da região Centro-Oeste,
perdendo apenas para Goiás.
Já no ranking nacional, a cidade mais violenta do país é Juruena (830 km
ao Norte de Cuiabá), onde, na simulação da pesquisa, a cada 100 mil
pessoas, 139 morreriam. A cidade tem apenas 7 mil habitantes.
Com base nesses índices, o diretor de Infraestrutura da Agecopa, Carlos
Brito, disse que a tarefa de diminuir os índices da violência em Mato
Grosso não será tarefa fácil.
"Nossos índices ainda estão fora do padrão internacionalmente aceito e
precisamos melhorar significativamente, porém não estamos tão distantes
de alcançar o que queremos. O objetivo principal, agora, é aumentar
efetivo e a logística, trazer acessibilidade ao turista, mas,
principalmente, ao povo que aqui permanecerá. E, para quem fica, a
qualidade de prestação de serviços será o grande legado", reforçou
Carlos Brito.
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